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Resumo do Quinto dia de SPFW N47

Resumo do Quinto dia de SPFW N47. Confira tudo o que rolou de melhor no Quinto dia de Desfiles da Semana mais Fashionista de São Paulo.

Resumo do Quinto dia de SPFW N47

Desfile Coleção  Projeto Estufa | Ão

Resumo do Quinto dia de SPFW N47 Resumo do Quinto dia de SPFW N47

Resumo do Quinto dia de SPFW N47 Resumo do Quinto dia de SPFW N47

A Ão chegou com um conceito relativamente complexo nessa temporada, fazendo uma relação entre timbres, efeitos e silêncios da trilha sonora e as cores, texturas e tipos de modelagem da coleção. Ideia interessante.

A estilista Marina Dalgalarrondo mostra sua habilidade com as nervuras, bebendo da escola de Rei Kawakubo para dar sequência às suas experiências e estudos. Ela avança nas modelagens e em alguns momentos consegue equilibrar melhor o conceito da performance em si com uma proposta de moda própria mais definida nas peças.

Muito boa a ideia dos modelos cada um desfilando com uma careta congelada, esticada, exagerada, conversando com os efeitos de música e roupas. Eles estavam em movimento enquanto os rostos pareciam parados no tempo, num close ou quem sabe numa foto de Instagram.

Desfile Coleção  Projeto Estufa | Mipinta

Resumo do Quinto dia de SPFW N47 Resumo do Quinto dia de SPFW N47

 

Um continente feito de lixo e habitado por criaturas meio homem meio plástico. A MiPinta, uma das marcas do Projeto Estufa, falou da poluição dos oceanos e de sua ligação com o consumo nesta temporada. Spoiler: foi muito além do hype do canudinho. Um daqueles casos raros em que a roupa e styling não precisam ser explicados, falam sozinhos, alto e claro.

Não se sabe se esse crew mergulha ou escala as montanhas tóxicas, mas os looks são esportivos, cheios de recortes bem 80, numa cartela multicolorida. Muito bacana os shapes das bermudas-calças com volumes e o mix bem planejado de jaquetas, que vai da mais pronta para usar ao look statement de plástico que encerra o desfile.

A MiPinta faz um esportivo masculino com muito potencial para um certo nicho de mercado que gosta do estilo mas não se acha nas opções mais tradicionais. Fique de olho no diretor criativo Fernando Miró e seu time, incluindo o stylist Leonardo Augusto. (Vivian Whiteman)

Desfile Coleção  Cotton Project

Com a coleção Contra, a Cotton Project olha para movimentos de contracultura que influenciaram esportes como surf e escalada nas montanhas. A marca olha para os anos 50 e 60, no momento em que esses esportes questionaram uma sociedade conservadora e consumista em busca de um estilo de vida libertário e hedonista.

Com um formato de desfile diferente – o público ficava de pé em torno de um círculo onde os modelos se posicionavam – a marca de Rafael Varandas continua a fortalecer sua identidade que recebe forte influência de esportes como skate e surf e de subculturas da moda e da arte.

Fica claro a influência dos anos 60 em algumas peças e silhuetas, mas também na atitude. Aí está uma das coisas que a marca faz melhor: mistura universos, épocas, referências esportivas e urbanas, sempre de um jeito inconfundivelmente Cotton Project.

Suas coleções não são daquelas que engajam pela criatividade explosiva, mas por como usam o estilo casual para contar histórias, para abrir mais uma janela de seu mundo, além de mostrar produtos desejáveis e bem executados. E entre as inúmeras opções de peças femininas e masculinas – básicos que se destacam por uma cartela de cores sempre muito bem pensada – vale sempre destacar os casacos e jaquetas. Só os três primeiros looks do desfile, de cara, já fazem a gente sonhar com dias mais frios. (Camila Yahn)

 

Coleção Desfile  Apartamento 03

Na era do Instagram o natural e o superfiltrado convivem e se confundem nas telas e no olhar guiado pelo movimento dos dedos. A realidade muitas vezes é uma questão de ponto de vista e conhecidos online podem se desconhecer ao vivo ou até no espelho, vai saber. Tempos de ligações frágeis e excesso de efeitos especiais. De olho nessa farofa pós-moderna, a Apartamento 03 investiga e tira onda com o movimento que pede o retorno dessa tal de “mulher natural”. Ela, obviamente, também não passa de ficção.

O diretor criativo Luiz Cláudio não cai na armadilha do ideal romântico da fusão com a natureza nem cai no discurso gratiluz místico de ocasião. Cuidado que o terno é de linho, mas o paetê de sereia, não. Mas os dois são lindos e dá vontade de usar.

O texto do desfile, escrito pelo videomaker Paulo Raic, cita que a cartela de cores com muito branco, verde e rosa era a preferida do poeta Baudelaire. Mas as flores não são do mal, são de cristal, e enfeitam vestidos e conjuntos nesse jardim de inversões.

As estampas desta vez abrem mais espaço para os looks lisos, que também aparecem em amarelo e lilases apagados. Dá até pra combinar com o cenário, seja ele praia, montanha, cidade ou só parte da arquitetura virtual.

Entre recursos de styling, influencers criadas por app e artistas da modificação virtual (alô, sigam @cindysherman), uma coisa é certa: os looks são chiquíssimos, de longe ou bem de perto. (Vivian Whiteman)

 

Desfile Coleção  Ratier

A Ratier se inspirou em crenças religiosas para sua coleção desfilada esta noite no SPFW. A marca de Renato Ratier tem sangue urbano correndo em suas veias e continuou a explorar modelagens esportivas e urbanas, com shapes oversized e uma cartela de cores que já é reconhecida no trabalho da grife, como preto, branco, marrom e amarelo.
“A inspiração foi em crenças religiosas, mas tratado com sutileza nas roupas, presente em golas, cortes e amarrações de cabeça, que é o que vai apresentar a referência religiosa na coleção através de releituras sem grande enfoque”, contou Renato ao FFW momentos antes do desfile começar.
O desfile mostrou 30 looks, alguns comunicavam a influência religiosa de uma maneira literal, como burcas ou o capuz do hábito. Esse tema é tão interessante e amplo quanto complexo e funciona como uma faca de dois gumes. Aqui, sentimos falta de um mergulho mais profundo, explorando melhor essa referência.
Renato continua a utilizar uma gama diversa de materiais, como couro, linho, lã, jacquard e veludo, beneficiando-se do encontro entre texturas, um dos pontos altos de seu trabalho. (Camila Yahn)

 

Desfile Coleção  Haight

A Haight estreou no SPFW com uma coleção que fala sobre o autoconhecimento. Tempo Suspenso é uma imersão para dentro de si mesmo, em que você não sabe mais em que tempo está. “As peças com camadas simbolizam todas as etapas que passamos para nos entendermos como únicos, até chegar ao nosso potencial máximo como ser”, diz Marcella Franklin, fundadora e diretora criativa da marca.

Para uma empresa de operação pequena, entrar em um evento como o SPFW é um estímulo e um desafio ao mesmo tempo. Varejo e passarela são dois universos paralelos, mas que se encontram em um determinado ponto, um cedendo daqui, o outro cedendo dali. Portanto, parece que esse mergulho em um novo processo tenha feito Marcella olhar para dentro de si e, o que ela encontrou lá, refletiu no que vimos na passarela. “É uma das maiores forma de reconhecimento da Haight até hoje, mas também um desafio pra uma marca pequena. O desfile envolve muita coisa que não éramos acostumados a fazer”.

Marca de moda praia nascida no Rio, a Haight já tem um following de mulheres descoladas que encontram na loja peças que fogem do estereótipo e ganham em design. A cartela de cores é ponto importantíssimo no processo da grife, que passa longe de estampas tropicais ou mix de cores vibrantes que não raro vemos na moda praia. Em vez disso, Marcela trabalha com poucas cores, como preto, nude e um tom de vermelho dos mais bonitos – quase metade da coleção foi construída nessa cor.

A modelagem é outro ponto alto, um exercício de volumes e recortes raramente vistos em uma marca de praia. O desfile trouxe os clássicos da Haight junto a peças mais conceituais, mas vale lembrar que as roupas da Haight também já derrubaram essa barreira de mercado.  “Temos peças que seguem uma linha de volume, proporção e materiais para a praia, mas o que a Haight tem de mais carioca é o comportamento da menina que está na praia e acaba indo pra um outro lugar, alguma festa durante o dia e depois à noite”, explica. Um maiô não é apenas um maiô, é um top, uma regata, um body. Parte do exercício de fazer um desfile foi pensar em outros produtos que agregassem ao seu mix e dali saíram vestidos e túnicas que seguem a linha de cores e volumes. (Camila Yahn)

 

Desfile Coleção  Ronaldo Fraga

Candido Portinari morreu em 1962, dois anos antes do início do que seria a Ditadura Militar no Brasil. Deixou uma obra lírica, mas também política, em que criticou acima de tudo a opressão em suas muitas formas. Uma de suas pinturas, os painéis de Guerra e Paz, foi o ponto de partida para o desfile de Ronaldo Fraga.

Encomendados pela ONU, os dois paineis de 14m de largura, opõem o massacre do povo e sua capacidade para a expressão da alegria. Ronaldo, em um exercício de ficção, escreve uma carta póstuma a Portinari e se pergunta, diante da atual situação lamentável do país, o que Portinari pintaria, o que denunciaria se pintasse Guerra e Paz hoje.

Portinari, um gênio reconhecido mundialmente, foi do Partido Comunista e no Brasil de hoje seria tratado como inimigo. Ronaldo, por sua vez, tem se colocado pessoalmente em suas redes contra os descalabros do atual governo, especialmente nas questões relacionadas a racismo, homofobia, direitos das minorias e propostas ambientais, pautas de interesse geral da população mas que tem sido tratadas como “esquerdistas”.

Sua passarela deixa claro: há um processo de militarização da vida em curso. A guerra é, antes de tudo, um modo de organizar o mundo. Os modelos vestem capacetes criados por Marcos Costa com diferentes adornos que representam diferentes questões importantes.

As armas, que viraram símbolo e gestual do atual governo. O genocídio da população negra e a violência de tentar negar que os horrores da escravidão ocorreram e ainda têm consequências. A perseguição à população LGBT. As novas medidas que ampliam a exploração de florestas e roubam direitos das populações indígenas. A opressão dos trabalhadores. O descaso com as ciências humanas. Em certa entrada o adereço é a pomba da paz que parece tentar furar e atravessar o capacete e, quem sabe, tocar um pensamento.

As roupas trazem estampas detalhes das pinturas de Guerra e Paz, mas também balas, estilhaços, índios crucificados, sangue. Um camisão longo de linho aparece cravado de tiros bordados. Nas costas dele, o rosto de Marielle Franco, assassinada por militares que tem sido ligados a grupos de milícia. No chão da passarela, café, símbolo de riqueza, conforto mas também do trabalho escravo nas fazendas brasileiras, amplamente retratado no trabalho de Portinari. Ele, que durante a vida declarou que não acreditava em arte neutra, que o sentido social de um ato artístico existe mesmo sem intenção explícita.

Mas Ronaldo não é um derrotista. Sua moda tem dureza, mas também energia de potência e mudança. Energia que Ronaldo enxerga no trabalho digno, na arte, na cultura, na brincadeira, no artesanal, na roupa.

As técnicas de patchwork combinam bem com o pensamento dessa coleção, que entende a história como um ajuntamento de vozes, de trajetórias, de pessoas e seus percursos, suas produções e seus afetos.

A trilha foi feita ao vivo pelo grupo de cantoras A Quatro Vozes, acompanhadas pelos instrumentistas do trio Motim. Canções da MPB com cunho político, mas também canções de amor. A realidade às vezes é tão penosa que os fatos nos sobrecarregam, deprimem, precisam ser escondidos de nós mesmos. Só conseguimos elaborá-los partindo de uma ficção, talvez de uma possibilidade radical de virada e liberdade. Assim faz a arte, assim às vezes consegue fazer a moda, embalando fatos duros em uma narrativa que não os esvazia, mas que os torna mais acessíveis. Portinari, presente. (Vivian Whiteman)

 


XOXO

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Pamela Autoo

Pamela Auto, Formada em Administração, 24 anos e Blogueira de Recife - PE. Acredito na liberdade de expressão e que podemos ser quem quisermos. Então sejamos nós mesmos, sem medo de ser estranho/weird! http://letmebeweird.com/

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