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Resumo do Terceiro dia de SPFW N47

Resumo do Terceiro dia de SPFW N47. Confira o resumo de tudo de melhor que rolou no Terceiro dia de Semana de Moda em São Paulo.

Resumo do Terceiro dia de SPFW N47

Desfile Coleção Gloria Coelho

Resumo do Terceiro dia de SPFW N47 Resumo do Terceiro dia de SPFW N47

Resumo do Terceiro dia de SPFW N47 Resumo do Terceiro dia de SPFW N47

Gloria Coelho tem um processo criativo muito peculiar. Suas inspirações são sempre muitas e as mais variadas. Algumas ficam explícitas na roupa, outras, talvez só circulem como moods incomunicáveis em sua trip imaginativa.

Desta vez, o foco principal era o repertório surfwear, que a estilista misturou a certos elementos de uma de suas obsessões mais ou menos recentes: os medievalismos e referências nórdicas e britânicas da série Game of Thrones.

Gloria trabalha com uma estrutura de estilo muito estabelecida, em que as novidades encontram resistência e penetram nesse esquema como modificações muitas vezes sutis.

Assim o surf é o do minimalismo de maiôs, bodies e recortes geométricos, dos tecidos hi-tech ou exclusivos. Os tronos de seu reino são ocupados por rainhas da alfaiataria dark, onde a luz entra por fendas bem posicionadas. Os acessórios e capuzes reforçaram a ideia do medieval revisitado.

No jogo de Gloria uma nação será sempre soberana: a das minimalistas com uma quedinha por impérios e pelas tecnologias do vestir. (Vivian Whiteman)

 

Desfile Coleção Patbo

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Tropical com açúcar. A nova coleção da PatBo é assim, em ritmo de revival Bossa Nova, entre plantas, tucanos e flores, carinha vintage, clima de sombra e água fresca.

O Brasil cartão postal surge como tema, sem muita complicação, apenas como fio condutor dos desejos da estilista Patricia Bonaldi e de suas clientes, que adoram um look vaporoso e estampado, um bordado delicado ou maximalista. O mood é de férias, de eterno verão, com bolsas de palha decoradas e óculos gatinho bem anos 50.

A linha de biquínis e maiôs traz uma boa variedade de modelagens e a marca também investe em uma série de acessórios artesanais. Uma das propostas de styling é usar o full look estampado na praia: top, bottom, bolsa e faixa de cabelo combinadinhos.

Na linha mais casual chic, os destaques são os conjuntos monocromáticos com calças pantalona e casaquetos com mangas amplas em tons entre o laranja e o pêssego. Um verão entre a orla e a Garden party, sabor côco com baunilha.

Desfile Coleção Another Place

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A Another Place estreou no SPFWN47 com a coleção All I See Is You, com um questionamento sobre como se relacionar no mundo de hoje, rodeado por aplicativos, redes sociais e tantas formas de se conectar com as pessoas e com o mundo.

A marca, que nasceu em Recife em 2015, faz uma moda atemporal, funcional e com design clean. Para a estreia no SPFW, o diretor criativo Rafael Nascimento trouxe como novidade um trabalho de alfaiataria, mas inserida em um ambiente esportivo, para complementar sua oferta atual que tem como foco estético o sportswear e a ausência de gênero. “Queremos sair da zona de conforto e trazer uma nova imagem para a marca, que seja um reflexo do nosso momento”.

A energia contemporânea da ANP foi sentida logo no início com um vídeo que abriu o desfile. E ela permeou toda a apresentação com seu casting diverso e uma trilha pulsante que ajudaram a comunicar seu propósito e estilo. As peças são comerciais, usáveis e fáceis de sua jovem clientela se comunicar, porém é justo quando eles trazem uma proposta diferente que o produto fica mais interessante para a passarela. Um exemplo simples são os macacões e calças com recortes laterais, que colocam a marca em um diálogo com a estética SM/bondage que não é algo novo na moda, mas traz um ponto de interesse a mais. O macacão laranja também funciona nesse sentido.

Vale falar das peças feitas em colaboração com a Levi´s com renda 100% revertida para a Casa 1, centro de cultura e acolhimento LGBT+.

E a Palmirinha na primeira fila foi uma cortesia do amaciante Confort, um dos patrocinadores da Another Place. O que poderia ter sido uma ação de marketing furada, sensibilizou o público e virou um amor coletivo, com convidados da marca querendo fazer fotos com ela no backstage.

Rafael e o sócio Caio Fortes já são super bem relacionados, com insta girls como Camila Coutinho e Jana Rosa na primeira fila. Eles já têm seu público e sua comunidade e será interessante acompanhar sua evolução a partir desse novo momento, em que têm que falar com muito mais a gente ao mesmo tempo em que mergulham em sua própria essência. (Camila Yahn)

Desfile Coleção Amir Slama

Amir Slama festeja 30 anos de carreira este ano e seu desfile no SPFW foi uma verdadeira comemoração. Não só de três décadas trabalhando com moda e quebrando barreiras como fez com a Rosa Chá, mas também uma celebração da diversidade, do amor, do humor e do coletivo.

Essa história em uma viagem de férias na Bahia, quando um grupo de amigos, de brincadeira, começou a brincar com a ideia de desfilar um dia no SPFW. Nesse grupo estavam Paulo Borges e os baianos Dudu Farias, Lucas Guimarães e John Drops, dois fenômenos da internet. Paulo fez o link com Amir Slama e a partir daí começou-se a construir uma narrativa para o desfile que fala de empoderamento, diversidade e verdade. Dudu é um personal stylist (e insta boy) que trabalha com celebridades e assinou hoje seu primeiro desfile no SPFW. Junto com Paulo, começaram a ativar uma série de influenciadores, de Carlinhos Maia a Jojo Toddynho passando por Gominho, Johnny Luxo e Carol Ribeiro.

Cada modelo estava ali como uma representação de si mesmo, cada look era um look, que tomavam vida própria adornando corpos e personalidades tão diversas. Foi divertido, alegre, verdadeiro e inesperado, um bom ponto de partida para mirar o futuro. (Camila Yahn)

Desfile Coleção João Pimenta

O escapismo não é uma opção para João Pimenta. Seu olhar sobre a atual situação do país é crítico e não desvia o foco. O estilista fala em cizânia, palavra que soa cinza em si, mas que quer dizer desarmonia, divisão, briga. O que João apresenta é um país em crise, inclusive de identidade. Os modelos com a cabeça coberta por sacos plásticos e bocas fechadas com fita sugerem censura, tortura, silêncio.

Entre o clima soturno coletivo e os afetos pessoais, João traça um paralelo. Se o país parece ter dificuldade de lidar com a própria história, se líderes tentam silenciá-la, o estilista parte da sua trajetória para organizar um discurso mais livre. Uma inversão em que o contexto pode ser buscado a partir do individual.

Há algo calado no escuro, sugerem as roupas. Uma dificuldade talvez de lidar com aquilo que falta e aquilo que é excesso. Como estilista, João sempre trabalhou nesses limites. A ideia de transformar o rasgo, o remendo, a imperfeição, a incompletude, em beleza faz parte de seu repertório de base. Desta vez ele faz ligação entre essa ideia e a técnica oriental de remendar cerâmica quebrada com ouro. O que se parte ou nasce partido nunca mais será o mesmo, mas pode se tornar ainda mais precioso, especial.

A make assinada por Helder Rodrigues ajuda a contar a história de algo que está podre, talvez morto. Moscas coladas ao rosto, uma imagem forte e incômoda. A fita vermelha na boca imita um batom, um borrão, um sorriso sinistro e fabricado.

O uso do camuflado merece atenção. Nas cores tradicionais fala de guerra, de dureza, de uma masculinidade destrutiva. Em seguida, passa por uma certa contaminação. É tomado de cores que vêm de outros tecidos, de bordados, vazados artesanais, de flores. É algo que vai crescendo até explodir. A explosão é um evento que se faz ver, mas também ouvir.

Os casacos pesados vão ganhando leveza. Às vezes aparecem sobre vestidos, inclusive para os meninos. João também enxergou cedo o diálogo entre roupa e masculinidade tóxica. Aquela que, acima de tudo, tem medo do feminino que há em todos nós. Um medo violento, que tantas vezes se expressa em piada, recusa, afastamento e agressão. Na realidade dos hábitos a relação do homem ocidental médio com uma saia é atravessada por preconceitos, por ideias complexas, pela representação que vai além do pedaço de pano, mas que diz algo através dele, fazendo uso de sua presença.

No texto da coleção, João nomeia essa coisa capaz de reconstruir, de recontar, de reescrever, libertar, talvez de curar, sem negar o tamanho da queda. Ele diz que isso é amor. Já cizânia também é o nome do joio, aquela praga que devemos separar do trigo. Dizem que não se deve rimar amor e dor. Mas às vezes acontece e faz parte de estar vivo. O que João propõe, parece, é desrimar amor e horror. Separar a erva daninha da plantação. E remendar o que ficou com ligas preciosas. Parece otimista, mas acho que dá pra ser feito. (Vivian Whiteman)

 

Desfile Coleção Modem

A coleção da Modem foi um shot de cor e energia. Inspirada no trabalho de Eli Sudbrack, criador do projeto artístico Assume Vivid Astro Focus, a marca renovou seu repertório minimal com uma paleta de arco-íris e experiências com formas e efeitos de movimento.

O Avaf, que mistura trabalhos de Eli e intervenções coletivas e em dupla, tem obras em diversas mídias e suportes, incluindo instalações, performances, pintura, desenho, vídeo, escultura, cenários e música. A estética acredita na intensidade e poder de comunicação das cores e no estudo do geométrico e do orgânico, cria diálogos e experiências com um pé na psicodelia e no tropicalismo não-conformista. O projeto fez parcerias com outros estilistas brasileiros, como Dudu Bertholini, Fabio Gurjão e a dupla Amapô.

O diretor criativo André Boffano, que agora comanda sozinho a Modem, pesquisou as formas e cores do Avaf. O resultado passa por looks assimétricos e super recortados, que conversam com as últimas coleções da marca em termos de modelagem, só que com novas ousadias. É como se o turbilhão maximalista de Eli tivesse deixado a imagem da grife mais solta e mais ousada.

A cor fez bem não só aos looks, especialmente os rosas, azuis intensos e metalizados, mas também aos acessórios. As bolsas da marca, que viraram hit entre as fashionistas, saíram do registro dos neutros para dar uma volta no mood “she´s a rainbow”. Realce! (Vivian Whiteman)

Desfile Coleção Lino Villaventura

Lino Villaventura possui um universo idiossincrásico, com suas próprias regras que vão na contramão e passa longe de qualquer tendência ou movimento passageiro. Tanto que facilmente se reconhece seu trabalho, de caráter dramático e autoral. E é assim em todas as edições do SPFW – com 40 anos de carreira, ele é o único estilista que desfilou nas 47 edições do evento. Apaixonado por técnicas de construção das mais diversas, Lino gosta de explicar sua coleção no tête-à-tête, pra cada um. Nada de release. E, segundo ele, nada tem um porquê.

“O ponto de partida começa de um jeito e termina de outro completamente diferente, como tudo o que faço”, conta Lino. “Começo com uma imagem, que é mutante na verdade, e se transforma em outra coisa”. Essa imagem prévia alude à primeira série do desfile, que foi aberto por sua musa, Marina Dias. São looks que evocam uma vibe futurista, com bodysuits de veludo, mangas com franjas translúcidas e tecidos luminosos, como o vinil preto e vermelho visto em capas, puffer jackets e macacões com shape mais amplo.

Do futurismo, a coleção caminha para a sua já conhecida riqueza de tecidos, volumes e texturas. Nervuras, frisos, plissados, jacquards e patchworks se misturam em meio a transparências e brilhos, com aplicações bordadas à mão. Nessa história, houve looks com referências do Japão e alguns menos cerebrais, com propostas mais usáveis.

Lino também falou sobre reaproveitamento – algo que não raro ele pratica ao longo de suas coleções. Foi desfilada uma peça criada pelo estilista em 1999, feita com escama de peixe desidratada. E nos pés, uma colaboração com a Mxtri.lab, marca de calçados recém-lançada cuja proposta é reaproveitar materiais excedentes da indústria. Aqui, botas over the knee, sneakers, scarpins e coturnos foram criados a partir de uma malha desenvolvida com retalhos de couro descartados por varejistas fast fashion, bem como calçados reaproveitados de coleções anteriores do Lino. (Guilherme Meneghetti)

 

Desfile Coleção Beira

A estilista Lívia Campos é uma esteta radical e continua seu exercício de se aprofundar cada vez mais na construção de roupas. A partir de um degradê muito sutil de pretos, ela transforma o avesso no lado correto, revelando as costuras. O nível de trabalho de Lívia é alto a ponto de, em nenhum momento, elas se parecem com “roupas do avesso”.

Lívia trabalha com seda, malha, algodão, veludo e lã – uma lã envelhecida que tem um aspecto mais aveludado. Cada tecido parece impactar no tom de preto e é interessante olhar para um desfile como um estudo de tons e construções.

Lívia é uma das jovens estilistas mais talentosas de sua geração e é corajosa por resolver ir tão a fundo em sua visão de moda. Porém, em um desfile, a delicadeza desse estudo detalhado pode não surtir o efeito esperado. A trilha, ao meu ver, não ajuda. Em uma semana de moda onde as pessoas acompanham até oito desfiles por dia e sua atenção é eternamente desviada a todo momento, é necessário algo a mais, que prenda a atenção de um público super estimulado. Lívia nos faz um convite, o de nos deixar absorver por toda a beleza e refinamento de seu processo. E talvez, esse mergulho profundo possa ser conquistado de outras maneiras, como vídeos ou nas próprias lojas onde a Beira está à venda. Especialmente agora, que a marca lança seu próprio e-commerce e começa a falar com um público mais amplo, achar um ponto de equilíbrio que traga o público mais para perto, pode dar a Lívia o empurrão para alçar novos e bons voos. (Camila Yahn)


 

XOXO

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Pamela Autoo

Pamela Auto, Formada em Administração, 24 anos e Blogueira de Recife - PE. Acredito na liberdade de expressão e que podemos ser quem quisermos. Então sejamos nós mesmos, sem medo de ser estranho/weird! http://letmebeweird.com/

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